"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

05/08/2026

Depois da Chuva

Depois da Chuva - Soneto clássico de Amor


Evaporam-se as gotas do passado!
Sobem aos céus, quiçá já perdoadas
Das dores, da saudade aqui deixada,
Do amor não esquecido, mas calmado.

Olhos de sonhos são pingos chorados,
Na muda comunhão da madrugada,
Cujo silêncio é fala acorrentada
No âmago de um amor abençoado.

E hoje há rubor nos lábios tão queridos,
Há renascer na aurora, há esperança,
Novo brilhar nos afetos refloridos.

E nos teus braços, perco-me na dança
Dos copos nus, desse luar bandido,
Do céu que vem brindar nossa aliança.


07/05/2026

Sonho Menino



Violenta a charneca o sol a pino
Que adentra pelas flores e resseca
A terra. Mi' alma em dor já se disseca
Nessa saudade. Meu sentir, calcino.

Noites frias, contigo me alucino,
Quando a tua presença é hipoteca,
Cobrada por aquela que te obceca,
Deixando-me e a alvorada em desatino.

Como eu quero este sonho tão menino!
Deixar no além tudo o que eu omino,
Do amor que, pelos meus dedos, escorre.

 O rocio que me desce cristalino,
Não aplaca esta dor do meu destino,
De ver o sonho que, no leito, morre.


09/03/2026

Silêncios do Tempo




Há um caudal que habita em mim: um rio
De sentimentos; vida que emudece
Os mais carnais e, à alma, o que a enobrece,
Traz; são silêncios, novos desafios.

Ah, surge um novo curso, brando e frio;
E esta alma muda, em mim, amadurece.
O sonho antigo vai-se, e então padece,
Enquanto o tempo amplia esse vazio.

Quando da vida a luz empalidece,
E do silêncio brota a flor da paz,
A dor que outrora ardia se enfraquece.

É mansidão que a vida, em pausa, tece
Num longo caminhar outrora audaz,
Onde o silêncio, ao tempo, até floresce.


08/02/2026

Bendita Sincronia

Bendita Sincronia

Ó tu que adentras pela madrugada,
Por este furacão que a noite gera,
Trazendo-me e a minha alma esta quimera
E, ao luar, uma luz deambulada.

Vejo-te da janela embaciada
Pelas brumas da aurora que minera
Nas estrelas anosas, as mil eras
Dos versos que me dás, agraciada.

Tu, que me trazes vida, até ternura,
És verbo, és norma nessa lei secreta
Da qual me faço inteiro e refletido.

Nesta sincronia, há forma e ventura,
No exato instante em que a lira e o poeta
Misturam-se no canto mais bendito.

23/01/2026

O Monstrengo



Inspirado no poema homônimo 

Ó, vendaval, agitador dos mares!
Tu que despertas vagas assassinas,
Trazes o monstro em sombras tão ladinas,
Mas não o afogas; sobes-lhe aos altares.

Uivas qual lobo e não há quem te pare!
Até os véus da nau, tu já bolinas.
Roças na quilha essa boca traquina,
Para que da maré não te separes.

Avivas sons estranhos nesse mar;
Vozes dos mortos que esse abismo herdou:
Reino de Poseidon, verbo ceifar.

Ó, monstro, quem cobiça este apogeu?
Findar a voz que o pélago calou?
Saudade é grito de quem lá ficou.



Peço desculpas pela ausência demorada,
mas encontro-me acometida de LER,
o que tem me impedido de digitar e crias as imagens.
Desejo a todos um Ano Novo de muitas criações,
muitas alegrias, saúde em abundância e 
o sempre abençoado amos.
Luz e paz.