"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 24 de dezembro de 2017

Viragens de Bordo



Velas içadas!
Solto da amarração
e à deriva,
vão-se os meus pensamentos...

Pelo bordo de fuga
escoa o vento
que deseja perdido
o tempo
em que sonhos
velejavam em rumo certo...

Hoje, várias são as cambadelas,
as viragens de bordo,
para navegar junto ao vento.

E seguir mar adentro
buscando na estrela guia
ouvir tuas asas,
teu lento voo molhado
e, enfim, ancorar
no porto sagrado
do teu coração!

(Sonya Azevedo)

Sinfonia do Vento


Pousadas sobre os fios,
Andorinhas executam
A sinfonia do vento
No agitar de asas
Que buscam o silêncio
Da clave sem sol.

Mas, de repente,

Pés dançarinos
Caem dos céus...
Gotas que sapateiam
Em batuta de poeta.

Com os olhos fechados,

Silêncio da alma,
Rege o poeta 
O árduo adágio
De uma saudade,
Ora pautado 
Em clave de dó.

(Sonya Azevedo)


sábado, 23 de setembro de 2017

Espelhos



Desenho lavado de bordas de rio
São aquarelas de sonhos
Onde o tempo passa 
E, extasiado, para.

O acarneirado brinca 
De fazer caretas 
De assustar peixinhos
Na calmaria espelhada 
Do estuário.

Na virgem transparência do rio
A quietude refletida da paz.
Até a brisa, ondas não faz,
Mas traz sonhos à poesia.

Salpicos de voos rasantes
São letras perdidas,
Soltas penas adejantes
Nas cálidas mãos do poeta.

Lento como a querer
Ter para si instantes derradeiros,
Pranteia o rio todos os seus sais
Salgando para sempre
A imensidão do mar.

(Sonya Azevedo)
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