"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 16 de julho de 2017

Alma Navegante




E por esse tempo que já se vai,
Não houve um grito ou urro sequer,
Mesmo com meu peito a se romper
Por esse pranto mudo que não sai.

Do chão dos gris cascalhos que pisei,
Das flores secas que não perfumam mais,
Dos tristes acasos que o mar leva jamais,
Com os pés rotos, sangrados, não recuei,

Segui avante. E, brava, achem-me os anos,
Destemida e de fronte erguida,
Sabendo-me, sempre, dona da mi'a vida.

Se, porventura, mais enganos houver,
Calarei os gritos sem perder a calma,
Sem largar o leme que conduz a mi'a alma.

(Sonya Azevedo)


Minha Bandeira



Minha Bandeira deixa-se escorrer
Em mastro deslizante de pau de sebo.
Soltam-se as estrelas e eu nem percebo
Que o infindo se perdeu no entrecorrer.

A lama encobre os restos do poder.
Venda, em olhos da Justiça, é placebo,
Não a cega, refulge a luz de Febo
E perdoa a quem mais lhe oferecer.

Ordem e progresso diluído no ouro
Saqueado da esperança de milhões
Que creram e, por crerem, foram traídos.

A ave, pelos verdes, traz o agouro,
Na voz e no coração dos milhões,
Que urge ver preso o Rei Caído.

(Sonya Azevedo)


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