"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 31 de janeiro de 2016

O domingo, a chuva e o jazz



Escuto a tão ritmada sinfonia
De um domingo chuvoso de verão.
Sincronia perfeita com a canção;
O chiar das aves, o jazz... eufonia.

O gris celeste, sua monotonia,
Faz bater lento até o coração.
Pingos no vidro é solo de violão,
O sax vai fundo, ao órgão traz tonia.

O céu vai escurecendo ainda mais
E o silêncio faz-se entre os animais.
Aqui e ali, distante, ouço um piar.

De repente, a chuva cai bem forte!
O vento uiva, o trovão mostra o seu porte;
E o jazz e o seu swing me põem a dançar.

Sonya Azevedo


sábado, 23 de janeiro de 2016

A noite e o poeta



Lentamente, como o último canto
De um triste cisne ante o seu morrer,
Vai-se apagando a pira no escorrer
Das cores dissolvidas por um pranto.

Quando se for a derradeira brasa,
Voando descuidada por sobre o mar,
Falará o silêncio com seu murmurar,
Através das cálidas ondas rasas.

E vejo o pingado que a noite traz.
O céu e o mar disputando o infinito,
Enquanto o urutau canta bonito
Nas ramas da mata, canto de paz.

Tudo, como num milagre, se aquieta.
É a paz que chega p'ra os sonhos cuidar.
Até a lua se foi cedo a repousar;
Mas, desperto, está, o coração de um poeta. 


Sonya Azevedo

sábado, 16 de janeiro de 2016

De coração para coração



Quando os lenços encobrirem o ciano,
Alvos lenços que acenam-te a saudade,
E o pranto não sanar, da alma, o dano;

Quando os teus olhos buscarem no infindo,
Lembranças que, no tempo, se perderam,
De um grande amor que já se fez findo;

Quando tudo o mais parecer perdido,
Busca-me! Busca por este coração
Que, em teu imo, deixaste escondido.

Busca-me nas entranhas do teu ser
E ouvirás a voz do meu coração
Que clama por ti, por este teu querer.

Verás olhos que pedem por teus olhos;
Negros olhos que bendizem teu olhar
E secarão o teu pranto no alvo folho.

Verás lábios sedentos por teus beijos;
Lábios que a ti só falarão do amor,
Das bênçãos do amor e do meu desejo.

E voltas pra mim, pra este coração!
Abraça-me e venha ser feliz,
Esquece o ontem, vem ouvir mi'a canção.

Verás que canção mais bela não há
Que esta que vem do meu coração,
De um grande amor que, tanto, tenho a dar.

Sonya Azevedo 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Mar revolto



Encanta-me esta forte ressonância
Quando bravo lança-se aos rochedos
E fragmenta, em si, todos os seus medos,
Desesperanças e essa imensa ânsia.

Extasiada olho as gotas dançarinas
Exibindo-se ao sol. Doiros reflexos
Tal se fora um espelho convexo
Ou, quiçá, uma ínfima lamparina.

O horizonte, perdido, enciumado,
Inspira-o, suga-o, tão fortemente,
Em ânsia de conter-lhe intimamente
Que não o segura e o vomita bramado.

Parece que, em fúria, volta mais forte!
Fere a pedra querendo-lhe adentrar
E esta não esconde o seu prantear
A dor que sente e o nada que a conforte.

Sol é poente e a lua se faz despertar...
Vendo-se abraçado por doce amada,
Calma o furor, faz-lhe uma serenata,
Parecendo-me ser meu, o seu cantar.

(Sonya Azevedo)


Créditos
Arte e formatação: by Sony
Tube:  Gabry, Animabelle
Tuto: Mara Pontes
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