Sonho Menino
Violenta a charneca o sol a pino
Que adentra pelas flores e resseca
A terra. Mi' alma em dor já se disseca
Nessa saudade. Meu sentir, calcino.
Noites frias, contigo me alucino,
Quando a tua presença é hipoteca,
Cobrada por aquela que te obceca,
Deixando-me e a alvorada em desatino.
Como eu quero este sonho tão menino!
Deixar no além tudo o que eu omino,
Do amor que, pelos meus dedos, escorre.
O rocio que me desce cristalino,
Não aplaca esta dor do meu destino,
De ver o sonho que, no leito, morre.
(Sonya Azevedo)
