"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sonho Menino


Sonho Menino

Violenta a charneca o sol a pino
Que adentra pelas flores e resseca
A terra. Mi' alma em dor já se disseca
Nessa saudade. Meu sentir, calcino.

Noites frias, contigo me alucino,
Quando a tua presença é hipoteca,
Cobrada por aquela que te obceca,
Deixando-me e a alvorada em desatino.

Como eu quero este sonho tão menino!
Deixar no além tudo o que eu omino,
Do amor que, pelos meus dedos, escorre.

 O rocio que me desce cristalino,
Não aplaca esta dor do meu destino,
De ver o sonho que, no leito, morre.

(Sonya Azevedo)