"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 14 de junho de 2026

Estrela Ausente


Estrela Ausente
 
Ó tu, que ora és a minha amada estrela,
Onde te escondes nesse céu vazio,
Num pálio escuro que ora flui tal rio,
Levando-te à cascata, sem contê-la?
 
Como posso eu, nu'a noite sem estrela,
Ouvir na solidão teu balbucio
Chegando a mim co' o vento brando e frio,
Trazendo à alma a voz para absolvê-la?
 
Na noite em que a saudade chega forte,
Pulsa o meu seio; eu corro e abro a janela
Na ânsia de ouvir-te ou algo que conforte
 
Esta alma que doída se rebela
Co' o céu que não lhe quer dar o suporte,
Nem avivar o ouro da minha estrela.

Sonya Azevedo