Guardiã do Tempo
Entre dois seios é onde tu deslizas,
Gotejando os segundos, grão a grão.
Escorres por meus dedos: que ilusão!
Pois ris de mim enquanto me ironizas....
No cárcere de vidro te eternizas,
Enquanto a vida segue em contramão.
E eu, cega, crendo ter-te em minha mão,
Vejo que a luz vital já se ameniza.
Assim, qual mágico, sempre me iludes
E a julgar, ao prender-te na ampulheta,
Tu sempre foges qual água corrente.
Quando te penso eterno, és finitude,
Vagando em linhas da alma inquieta,
Perdida em sonhos vãos, inconsequentes.
Sonya Azevedo

