Tem gosto de saudade beijando o ar,
Como também se tem de ver a lua...
Porém, mais que isso, é admirar-te nua,
Com todo o movimento deste amar.
E, assim, em relva de paixões e ousar,
Visto-me de esperança a que, em charrua,
Singre o mar de ilusão desta alma tua
E co' as benditas mãos, crie um rimar.
Num alvo lírio, sua doce fragrância,
Tento inalar os versos com que irei
Fazer no coração, esta alquimia.
E neste céu pairante de abundância
Dos magos pingos d'ouros do Ágnus-Dei,
Desnudo-me a viver-te, poesia.
(Sonya Azevedo)