"E, nos murmúrios do vento, vão-se os meus silêncios"" (Sonya Azevedo)

 

domingo, 14 de junho de 2026

Estrela Ausente


Estrela Ausente
 
Ó tu, que ora és a minha amada estrela,
Onde te escondes nesse céu vazio,
Num pálio escuro que ora flui tal rio,
Levando-te à cascata, sem contê-la?
 
Como posso eu, nu'a noite sem estrela,
Ouvir na solidão teu balbucio
Chegando a mim co' o vento brando e frio,
Trazendo à alma a voz para absolvê-la?
 
Na noite em que a saudade chega forte,
Pulsa o meu seio; eu corro e abro a janela
Na ânsia de ouvir-te ou algo que conforte
 
Esta alma que doída se rebela
Co' o céu que não lhe quer dar o suporte,
Nem avivar o ouro da minha estrela.

Sonya Azevedo

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sonho Menino


Sonho Menino

Violenta a charneca o sol a pino
Que adentra pelas flores e resseca
A terra. Mi' alma em dor já se disseca
Nessa saudade. Meu sentir, calcino.

Noites frias, contigo me alucino,
Quando a tua presença é hipoteca,
Cobrada por aquela que te obceca,
Deixando-me e a alvorada em desatino.

Como eu quero este sonho tão menino!
Deixar no além tudo o que eu omino,
Do amor que, pelos meus dedos, escorre.

 O rocio que me desce cristalino,
Não aplaca esta dor do meu destino,
De ver o sonho que, no leito, morre.

(Sonya Azevedo)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Silêncios do Tempo




Há um caudal que habita em mim: um rio
De sentimentos; vida que emudece
Os mais carnais e, à alma, o que a enobrece,
Traz; são silêncios, novos desafios.

Ah, surge um novo curso, brando e frio;
E esta alma muda, em mim, amadurece.
O sonho antigo vai-se, e então padece,
Enquanto o tempo amplia esse vazio.

Quando da vida a luz empalidece,
E do silêncio brota a flor da paz,
A dor que outrora ardia se enfraquece.

É mansidão que a vida, em pausa, tece
Num longo caminhar outrora audaz,
Onde o silêncio, ao tempo, até floresce.