Há um caudal que habita em mim: um rio
De sentimentos; vida que emudece
Os mais carnais e, à alma, o que a enobrece
Traz; são silêncios, novos desafios.
Ah, surge um novo curso, brando e frio;
E esta alma muda, em mim, amadurece.
O sonho antigo vai-se, e então padece,
Enquanto o tempo amplia esse vazio.
Quando da vida a luz empalidece,
E do silêncio brota a flor da paz,
A dor que outrora ardia se enfraquece.
É mansidão que a vida, em pausa, tece
Num longo caminhar outrora audaz,
Onde o silêncio, ao tempo, até floresce.
